Notícias do Japão: Impressões,
Intimidades,Imagens,Incursões, Indiscricões
Terça-feira, Fevereiro 28, 2006
postado por: FERNANDA RAQUEL 10:09 AM
A rua da nossa casa. O começo ou o fim, aqui nunca se sabe, da Gaien-nishi dori (dori = rua, avenida). Só as grandes avenidas têm nome, essa é uma delas, corta boa parte de Tóquio.
postado por: FERNANDA RAQUEL 10:08 AM
Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006
Tentativa de descrever sutilezas
"(...) É que parar por vários instantes também faz parte. É a dança do estatelamento: os movimentos imobilizam as coisas. O dançarino passa de uma imobilização a outra, dando-me tempo para a estupefação. E muitas vezes sua imobilidade súbita é a ressonância do salto anterior: o ar parado ainda contém todo o tremor do gesto. Ele agora está totalmente parado. Existir se torna sagrado como se nós fôssemos apenas os executantes da vida.
(...)
A platéia mal tolera, tão monótona é esta dança (...). E também porque é iniludível o nosso mal estar diante do Oriente: é um outro modo de saber a vida, o deles. (...) Eles acreditam em máscaras, acreditam num amor maior: são coisas antigas, serenas demais.
O interminável programa que folheio anuncia agora que três mulheres dançarão "mostrando todo o encanto feminino". Que decepção. As três mulheres que aparecem mal se movimentam. Procura-se o "encanto feminino", e vêem-se três mulheres se movendo tranquilas, como se isso bastasse. E o pior é que basta. Como se nos dissessem: eis aqui a fruta mais rara, e nos mostrassem a laranja de todos os dias. Surpreendida, vejo que a laranja é rara entre as mais raras." (Clarice Lispector)
postado por: FERNANDA RAQUEL 12:35 PM
Domingo, Fevereiro 26, 2006
postado por: FERNANDA RAQUEL 4:11 AM
Yoshito-sensei é o homem de pé na foto. Ele é filho do Kazuo Ohno, um dos criadores do butô junto com Tatsumi Hijikata. O butô é uma dança de vanguarda que surgiu no Japão pós-guerra, e que hoje é conhecida em todo o mundo, mas ainda continua bem marginal. Pode-se dizer que é mais que uma dança, pois usa de muita teatralidade nas suas performances, uma linguagem bastante híbrida, daí o meu interesse em aprender um pouco desse tipo de expressão. Numa explicação breve e simplista, o estilo de Ohno, seguido por Yoshito, está mais ligado à luminosidade e à beleza, enquanto na dança de Hijikata, a presença do grotesco e das "trevas" é bastante forte. Mas isso eu só vi em vídeos e através dos estudos, já que Hijikata morreu na década de 80 e Kazuo Ohno já não dança, ele está com 99 anos e não se movimenta mais. Depois das aulas sempre preparamos uma mesa com chá e comidinhas, uma espécie de confraternização, como voces podem ver na foto. Vez em quando, alguem leva vinho ou sakê e o clima fica mais animado.
postado por: FERNANDA RAQUEL 4:09 AM
Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
A Fernandinha veio contar história e eu fiquei com inveja. Faz uns dias, fomos cortar os cabelos, num lugar aqui perto de casa. A Fê levou uma revista com foto e eu fui na base do "same cutto", "shorto stylo", que é mais ou menos a pronúncia local do inglês. Sentamos em cadeiras vizinhas. O cabelereiro da Fe era sério e calado, só olhava pra foto e cortava. O cara que cortou o meu cabelo - Yuta, o nome da fera - era todo curioso e falador. Falava muito pouco inlglês, e eu aproveitei para por em prática minhas aulinhas de japonês. Lá pelas tantas, já havia conseguido dizer - bem mais em inglês que em japonês, é claro - que era brasileiro, marido da moça ao lado e que trabalhava na universidade de Tóquio, que os caras chamam de Todai. Ele entendeu que eu era cientista, mas não que era físico - physics e physicist não funcionaram, e na época eu não sabia dizer física em japonês (butsuri). Como insistia muito, eu tentava explicar que era físico, mas estava bem difícil. Lá pelas tantas, tive a brilhante idéia: olhei pra ele e disse: Einstein! Ele olhou feliz e disse, I like Einstein!, mas depois fez uma puta cara de dúvida e repetiu, physics ?... Eu confirmei: Einstein, physics! O Yuta fez cara de desolado, I don't understand... Eu me conformei, muito esforço pra nada. Foi quando ele se voltou e disse no maior tom amistoso: ...but I like Einstein. Very funny guy! Prendi o riso e até hoje estou por entender...
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 11:42 AM
Sábado, Fevereiro 18, 2006
Lost in Translation... Dica: não se perca em Tóquio! Na última sexta-feira lá fui eu atrás do dojô de Ki-Aikido com algumas indicações do caminho, que parecia bem simples. Pra quem não sabe, aprenderei a luta marcial que integra mente e corpo em japonês. Na verdade, o caminho era simples, só que eu saí do metrô e fui para o lado contrário. Sem perceber fui fazendo o caminho só que o o outro lado, adentrando ruas e ruas, pedi informação uma meia dúzia de vezes, mas têm alguns detalhes que não se pode esquecer: 1. eu não falo japonês; 2. os japoneses não falam inglês (quero dizer, nem todos); 3. eu estava tão perdida que mesmo que a gente falasse a mesma língua ia ser complicado me explicar. Sei que uma hora depois, e não estou aumentando a história, encontrei um executivo que me ajudou a voltar para o ponto inicial. Depois que eu estava no rumo certo, outro problema, os endereços aqui são tão complicados - as ruas não têm nomes e a numeração não segue uma ordem, é isso mesmo - que é preciso ter um mapa do local para qualquer um se encontrar. Bom, finalmente achei uma conveniência onde o vendedor falava inglês e tinha um mapa! Cheguei atrasada para a aula, mas cumpri a missão. Em tempo: o dojô é bem em frente à embaixada brasileira em Tóquio, que não tem nenhuma bandeirinha para nos lembrar.
postado por: FERNANDA RAQUEL 5:47 AM
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:48 PM
Esse foi outro passeio que fizemos, bem legal. O Kazuo (meu orientador) nos convidou pra um almoço de domingo na casa dele, bem gostoso por sinal. A nota triste foram os chocolates chiques que havíamos comprado pra presenteá-los, e que acabamos esquecendo em casa. Levar presentes aos anfitriões é um hábito por aqui, quase uma obrigação da boa etiqueta, e a Fê quis morrer. Tivemos que dar uma de João-Sem-braço, fazer de conta que não sabíamos e dar o presente no dia seguinte, no trabalho. Depois do almoço, fomos passear com o Kazuo e sua mulher, Kazuko, num parque próximo, Koishikawa Korakuen. Há uns 400 anos, era o castelo do Shogun local, e preserva algumas construções antigas, embora o castelo mesmo não esteja mais lá e a área atual seja 1/4 da original. Vale pelos jardins, bonitos mesmo no inverno. Na primavera deveremos retornar para ver as cerejeiras floridas.
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:48 PM
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:48 PM
A Fê havia visitado o templo antes, num dia de culto, e achado encantador. Grande e bonito, merece mesmo uma visita mais caprichada. Um dos pontos mais tocantes abriga as estatuazinhas acima, que homenageiam Jizobosatsu, protetor das almas das crianças natimortas.
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:47 PM
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
postado por: FERNANDA RAQUEL 2:50 PM
Na verdade, de tradicional só teve a muvuca desse tipo de evento, que no final das contas se tratava de uma farofa japonesa. No palanque havia de tudo, autoridades gringas, lutadores de sumô e outras celebridades do esporte, monges, além do bonequinho do Tobato Corn Caramel. Como voces podem ver na foto houve uma disputa acirrada pelo espaco entre o monge mor e o Pacotao, com todo aquele tamanho o monge saiu perdendo e foi embora do palanque com cara de quem nao gostou da brincadeira. Ficamos la mais um tempo disputando toalhinhas, saquinhos de soja e outros mimos arremessados pela galera do palanque.
postado por: FERNANDA RAQUEL 2:49 PM
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:02 PM
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:01 PM
Falando em tradições, a idéia é afastar os maus espírios e atrair as boas energias no ano ou primavera que começa. Os maus espíritos encarnam-se na figura do Oni, o diabinho retratado acima, que deve ser alvejado com grãos de soja torrados para que retorne ao inferno (budista, é claro!). Para atrair a sorte, deve-se comer os grãozinhos de soja em número igual à idade. Havia barraquinhas distribuindo a soja, e rolava uma certa muvuca pra conseguir um saquinho com quantidade suficiente para garantir boa fortuna aos já entrados na meia idade. Olha só a cara de felicidade da Fernandinha com a sojinha dela!
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:00 PM
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 11:41 AM
No dia 03 de fevereiro, fomos a um templo famoso não longe de casa (Zojoji, foto acima) prestigiar a cerimônia do Setsubun. A nossa professora de japonês (Haiashikawa-san) sugeriu o evento dizendo tratar-se do ano novo do calendário lunar (utilizado por aqui até fins do sec. XIX), mas informações disponíveis na rede afirmam que seria a chegada da primavera do calendário lunar. Não sabemos se seriam a mesma coisa! O fato é que fomos prestigiar a celebração, que curiosamente acontece ao meio-dia (lá no templo Zojoji, não há regra definida), ávidos por tradições japonesas... Na foto dá pra ver também que não fomos os únicos a comparecer. O templo fica no centro administrativo de Minato-ku, a cidade (ou coisa que o valha) em que moramos, na região metropolitana de Tóquio. Um monte de gente deu uma escapada no horário de almoço.
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 11:40 AM
Domingo, Fevereiro 12, 2006
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 11:18 AM
Depois de muito enrolar, finalmente iniciamos o blog pra valer. As notícias e imagens começam em fevereiro, pois em 2005 não tínhamos câmera digital. Ano novo, cabelos novos, o tema da primeira foto!!!
postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 10:43 AM